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Trump pressiona o Fed, mundo entra em alerta e ouro dispara: mercados vivem dias de tensão política e risco global

Atualizado: 14 de jan.

PANORAMA INTERNACIONAL: Pressão política sobre o Federal Reserve e tensões geopolíticas impulsionam volatilidade global.


As bolsas internacionais tiveram um dia marcado por forte volatilidade. Apesar da aversão inicial ao risco, Wall Street apresentou recuperação ao longo do dia. Ações de tecnologia lideraram a alta, enquanto papéis de instituições financeiras e empresas de cartão de crédito sofreram queda em decorrência da proposta de Trump de limitar taxas de juros em cartões de crédito a 10% a partir de 20 de janeiro. A Ásia operou em tom defensivo, refletindo aversão ao risco global, enquanto a Europa apresentou desempenho misto, pressionada pelo ambiente geopolítico e pela incerteza institucional americana.


A escalada de tensão entre o governo Trump e o Federal Reserve ganhou novos contornos, quando Jerome Powell, presidente do Fed, revelou estar sendo investigado criminalmente pelo Departamento de Justiça. A investigação está relacionada a declarações que Powell teria prestado ao Congresso em junho de 2025 sobre custos excedentes de um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões na sede do banco central em Washington.


Powell, em comunicado contundente, classificou a ameaça como “sem precedentes” e argumentou que se trata de um pretexto para pressionar o Fed a promover cortes mais intensos na taxa de juros, alinhados com as preferências políticas do presidente Trump. Segundo o presidente do Fed, a medida visa interferir na independência da política monetária americana.


Trump negou ter conhecimento da investigação em entrevista à NBC News, afirmando que “não sabe nada sobre isso, mas Powell certamente não é muito bom no Fed nem em construir edifícios”. A situação foi descrita por analistas como representando um “risco de que decisões relativas à taxa de juros passem a ser tomadas sob pressão política, em vez de se basearem em critérios e evidências econômicas”.


Os futuros de ações americanos operaram em queda nesta segunda-feira (12), com preocupações sobre a independência do Fed influenciando as decisões de investimento. O mercado segue atento para dados de inflação que serão divulgados nos próximos dias, particularmente o CPI de dezembro dos EUA, esperado para terça-feira (13).


No cenário geopolítico, os protestos no Irã, iniciados no dia 28 de Dezembro, atingiram patamares críticos nesta segunda-feira (12), marcando a terceira semana consecutiva de manifestações. Segundo o grupo de direitos humanos HRANA (baseado nos EUA), o número de mortos chegou a 648, com mais de 10.600 pessoas presas. A organização Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, relata que pelo menos 45 manifestantes, incluindo crianças, foram mortos em confrontos com as forças de segurança.


O movimento começa em resposta à desvalorização do rial iraniano e ao aumento de preços, evoluíram para uma manifestação política contra o regime do aiatolá Ali Khamenei, com exigências de reformas democráticas. Manifestantes exigem a saída do líder supremo e a volta de Reza Pahlavi, filho do antigo xá. As autoridades iranianas intensificaram a repressão, com relatos de confrontos severos e de que este foi o dia mais letal desde o início dos protestos.


Paralelo a isso, o presidente Trump avalia possíveis respostas às manifestações e ao cenário político no Irã, com possibilidades de intervenção militar sob discussão. Após o sucesso da operação contra Nicolás Maduro na Venezuela, o presidente Trump escalou suas ameaças diplomáticas, agora direcionadas a múltiplos países: Groenlândia, México, Colômbia, Irã e Cuba.


Sentimento dos mercados globais: Predomina aversão ao risco, com busca por proteção diante de incertezas institucionais e geopolíticas.


Cotações internacionais:

  • Petróleo WTI: +0,64%, a US$ 59,32

  • Petróleo Brent: +0,83%, a US$ 63,87

  • Ouro: +2.53%, a US$ 4.614,70/oz

  • Bitcoin: +0.37%, a US$ 91.271,90

  • S&P 500: +0,16%, aos 6.977,27 pontos


MERCADO BRASILEIRO: Brasil reage à aversão ao risco externo com mercado resiliente e fundamentos estáveis.


A bolsa brasileira fechou em leve queda, refletindo aversão ao risco global decorrente da escalada de tensões entre Trump e o Federal Reserve. O índice permanece próximo de máximas históricas, com técnica amplamente positiva apesar de indicadores de momentum em zona de sobrecompra.


Os analistas mantêm a expectativa de que o Banco Central iniciará o ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) em março de 2026, com uma redução inicial de 0,5 ponto percentual. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que o comitê prefere “esperar chegar lá” com mais dados nas mãos antes de sinalizar decisões de política monetária.


Após mais de 26 anos de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado durante este período. A aprovação provisória pelos países da UE ocorreu na sexta-feira (9 de janeiro). O tratado, que será assinado no Paraguai no sábado (17 de janeiro), representa “um marco histórico” para as relações comerciais multilaterais.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia significativamente o acesso ao mercado europeu, beneficiando principalmente o agronegócio e diversos segmentos da indústria brasileira. O tratado também promove uma mudança de paradigma produtivo, exigindo que empresas brasileiras adotem tecnologias de Indústria 4.0 e padrões ESG para competir globalmente.


O acordo prevê:

  • Eliminação gradual de tarifas sobre 91% das mercadorias do Mercosul exportadas para a UE em até 12 anos

  • Redução ou eliminação de tarifas sobre 95% das mercadorias europeias importadas pelo Mercosul em até 15 anos

  • Criação da maior área de livre comércio do mundo, com aproximadamente 451 milhões de consumidores europeus e 300 milhões de sul-americanos


O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central chegaram a um acordo nesta segunda-feira (12) sobre a inspeção do processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. O presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, anunciou que a autoridade monetária concordou em fornecer acesso aos documentos que fundamentaram a decisão de liquidação, permitindo que a Corte de Contas proceda com a inspeção.


De acordo com Vital do Rêgo, o calendário de trabalho será definido nos próximos dias, com a expectativa de que a inspeção seja concluída em menos de um mês. A medida traz “segurança jurídica” ao processo, segundo o presidente do TCU, e afasta a possibilidade de adoção de medidas cautelares contra o Banco Central. O plenário do TCU votará os embargos apresentados pelo BC em 21 de janeiro.


Sentimento do mercado brasileiro: Cautela construtiva, com resiliência dos ativos apesar do ambiente externo adverso.


Cotações nacionais:

  • Ibovespa: -0,13%, aos 163.150,35 pontos

  • Dólar: +0,08%, cotado a R$ 5,3757

Em Resumo


O dia foi marcado por significativa volatilidade nos mercados globais, motivada pela intensificação da pressão do governo Trump sobre a independência do Federal Reserve. A revelação de uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Fed, impactou profundamente o sentimento de risco global, disparando a demanda por ativos de proteção como ouro (que atingiu novo máximo histórico) e criptomoedas.


No Brasil, o Boletim Focus apresentou projeções economicamente estáveis, com ajustes marginais nas estimativas de inflação e manutenção das previsões para crescimento econômico. A aprovação do acordo UE-Mercosul representa um avanço histórico com consequências positivas esperadas para exportadores brasileiros, particularmente no agronegócio.


Principais pontos de atenção:

  • Risco institucional nos EUA: possíveis impactos sobre política monetária, dólar e fluxos globais de capital

  • Escalada geopolítica: Irã e ameaças diplomáticas de Trump elevam volatilidade e prêmio de risco

  • Commodities: petróleo sensível a qualquer interrupção de oferta; ouro em máximas históricas

  • Brasil: expectativa de cortes da Selic, acordo UE-Mercosul e monitoramento do câmbio e da inflação


Panorama IBRScore*


Principais fatos relevantes enviados em 12/01/2025


  • Tupy S.A. (TUPY3) – Convocou Assembleia Geral Extraordinária, com deliberações relevantes a serem submetidas aos acionistas.

  • Braskem S.A. (BRKM5 / BRKM3) – Atualizou o mercado sobre eventos relacionados à Braskem Idesa, com potenciais implicações estratégicas e financeiras.

  • Sendas Distribuidora S.A. – Assaí (ASAI3) – Informou o arquivamento do Form 15F na SEC, com o objetivo de cancelar o registro e encerrar obrigações de divulgação nos termos do Securities and Exchange Act of 1934. Comunicou também o atingimento do guidance de alavancagem para 2025, reforçando disciplina financeira.

  • Embraer S.A. (EMBR3) – Comunicou a contratação de formador de mercado, visando ampliar liquidez e eficiência na negociação das ações.

  • Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNBR3) – Divulgou atualização sobre a composição acionária, com destaque para a participação da União Federal.

  • Brava Energia S.A. (BRAV3) – Reiterou a renúncia e sucessão do Diretor-Presidente, além da substituição do Presidente do Conselho de Administração, consolidando mudanças na governança.

  • Terra Santa Propriedades Agrícolas S.A. (LAND3) – Divulgou o resultado do laudo de avaliação de terras, impactando a percepção de valor dos ativos imobiliários rurais.

  • International Meal Company Alimentação S.A. (MEAL3) – Anunciou a eleição do Sr. Fernando Calamita para o cargo de Diretor-Presidente, formalizando mudança na liderança executiva.

  • Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos S.A. (VAMO3) – Apresentou prévia dos resultados do 4T25 e do exercício de 2025, antecipando indicadores operacionais e financeiros relevantes.


Movimento da Bolsa Maiores Altas Maiores Baixas SMTO3 R$ 16,50 +10,66% MGLU3 R$ 8,58 -3,38% VAMO3 R$ 3,57 +8,18% SBSP3 R$ 127,26 -3,22% ASAI3 R$ 7,36 +4,55% DIRR3 R$ 13,58 -2,44% BRAV3 R$ 17,41 +4,50% MRVE3 R$ 7,98 -2,33%

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