Cautela global após dados fracos de emprego nos EUA e escalada geopolítica
- Matheus Soares
- 8 de jan.
- 7 min de leitura
Atualizado: 14 de jan.
PANORAMA INTERNACIONAL: Desaceleração do mercado de trabalho americano e aumento das tensões geopolíticas.

As bolsas internacionais fecharam sem direção única nesta quarta-feira. Em Nova York, o S&P 500 (6.920,93/-0,34%), Nasdaq (23.584,28/+0,16%) e o Dow Jones (~48.996/-0,90%) a sessão representou um rompimento de três dias de ganhos consecutivos, pressionados pelo relatório ADP, que indicou criação de apenas 41 mil vagas no setor privado em dezembro, abaixo do esperado. Na Europa, os índices fecharam em leve baixa, refletindo preocupações com riscos geopolíticos e crescimento global. Na Ásia, os mercados também operaram de forma mista, com investidores reduzindo exposição a ativos de risco.
O relatório de emprego da ADP divulgado em 07/01/2026 confirmou uma desaceleração significativa no mercado de trabalho americano. O setor privado criou apenas 41 mil empregos em dezembro, ficando 7 mil postos abaixo da expectativa de 48 mil analistas. Novembro foi revisado para cima, passando de uma contração de 32 mil para redução de 29 mil vagas.
Este resultado é particularmente preocupante pois representa o terceiro mês consecutivo de fraco desempenho nas contratações. Os salários no setor privado registraram expansão média anual de 4,4% para trabalhadores que permaneceram em seus empregos, mas para aqueles que mudaram de emprego, os aumentos atingiram 6,6%. O relatório completo (payroll) seria divulgado na sexta-feira (09/01), com expectativas de 73 mil novos empregos.
No cenário geopolítico, Donald Trump anunciou que os EUA tomarão controle de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, estimados em US$ 2,8 bilhões a preços de mercado. A Casa Branca comunicou que toda receita das vendas será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos globais, não em contas convencionais.
Trump declarou que utilizaria esse controle monetário “para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”. Adicionalmente, Trump anunciou que a Venezuela comprará exclusivamente produtos americanos com a receita do petróleo, incluindo produtos agrícolas, medicamentos, equipamentos médicos e infraestrutura energética.
O governo chinês acusou os EUA de “intimidação” e violação de direito internacional. Mao Ning (Ministério das Relações Exteriores) caracterizou a exigência americana para que a Venezuela cortasse laços com Pequim como “uso descarado da força” e “um caso típico de intimidação que viola gravemente o direito internacional”. Segundo ela, a medida também fere a soberania venezuelana e desrespeita o direito do país sobre seus recursos naturais.
A Casa Branca confirmou que Trump está discutindo “ativamente” a aquisição da Groenlândia. A porta-voz Karoline Leavitt reafirmou que “ todas as opções estão em consideração para a aquisição da ilha, incluindo a utilização de forças militares“. Trump argumenta que a Groenlândia é uma “prioridade de segurança nacional” necessária para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que se reunirá com autoridades dinamarquesas na próxima semana.
Sentimento dos mercados globais: cautela e realização de lucros, com investidores à espera de novos dados econômicos.
Cotações internacionais:
Petróleo WTI: -2,00%, a US$ 55,99
Petróleo Brent: -1,22%, a US$ 59,96
Ouro: -0.75%, a US$ 4.462,50/oz
Bitcoin: -2.56%, a US$ 91.342,6
S&P 500: -0,34%, aos 6.920,93 pontos
MERCADO BRASILEIRO: Mercado local ajusta posições após sequência de altas, apesar de fundamentos macroeconômicos sólidos.
O mercado brasileiro encerrou o dia em correção, acompanhando o movimento externo e realizando lucros após duas sessões positivas. Ibovespa (161.975,24/-1,03%) encerrou em correção após duas sessões positivas (segunda +0,83%, terça+1,11%). O movimento foi impulsionado pelo recuo dos bancos, que pressionaram o índice após realização de lucros. O nível máximo anterior foi atingido na terça-feira em 163.664 pontos, máxima desde 4 de dezembro.
Após quatro dias consecutivos de queda, o dólar encerrou a sessão de 07/01 com avanço. Amoeda alcançou níveis de R$ 5,38-5,39, representando a primeira alta de 2026. Na terça-feira anterior (06/01), havia fechado a R$ 5,379, com a moeda chegando a mínima intradiária de R$5,36. A reversão reflete o realinhamento típico de posições após o período de festas de final de ano e redução de preocupações geopolíticas imediatas.
O Brasil inicia 2026 com dados excepcionais de emprego. Desde janeiro de 2023, o país criou mais de 5 milhões de empregos formais. Em novembro de 2025, foram geradas 85 mil novas vagas com carteira assinada, elevando o estoque de vínculos formais para mais de 49 milhões de trabalhadores, o maior patamar da série histórica.
A taxa de desemprego recuou para 5,2%, representando o menor índice desde 2012. De acordo com o ministro da Fazenda substituto Dario Durigan, esses resultados confirmam uma retomada sustentada do mercado de trabalho com “crescimento distribuído regionalmente, sem concentração em poucos segmentos, o que fortalece a capacidade do país de manter um ciclo positivo de geração de emprego e renda”.
O novo salário mínimo entrou em vigor em 2026, passando para R$ 1.621 com ganho real. O governo também implementou: Isenção total de Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais; Descontos progressivos para rendas de até R$ 7.350 mensais.
O ministro do Trabalho afirmou que essas medidas devem injetar mais de R$ 100 bilhões na economia ao longo de 2026, fortalecendo o consumo interno e impulsionando a atividade econômica. Para o ministro, “quando o trabalhador percebe, no holerite, que sobra mais dinheiro no fim do mês, isso funciona como um aumento real de salário”.
Conforme boletim do Banco Central, a inflação projetada para 2026 é de 4,06%, dentro da meta de tolerância do governo. A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, com o acumulado de 12 meses marcando 4,41%.
No cenário politico, O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu uma queda durante a madrugada de 06/01 dentro da Superintendência da PF em Brasília. O ministro Alexandre de Moraes autorizou sua transferência para o Hospital DF Star em 07/01 para realização de exames. Após os exames, Bolsonaro retornou à Superintendência da PF para continuar cumprindo sua pena por tentativa de golpe de Estado.
O Tribunal de Contas da União (TCU) recuou de sua ameaça anterior quanto à possível revisão da liquidação do Banco Master. O presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, anunciou que o tribunal irá paralisar o pedido de inspeção técnica no Banco Central durante o mês de janeiro. O presidente do TCU ressaltou que isso “não implica revisão da decisão que decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira, mas o TCU pode e deve avaliar, dentro de suas atribuições constitucionais, as motivações e os procedimentos adotados pelo Banco Central”.
O ministro do Trabalho Luiz Marinho afirmou que há condições políticas para aprovação do fim da escala 6x1 antes das eleições de outubro de 2026. Segundo Marinho, “o calendário eleitoral pode, inclusive, servir como um elemento para acelerar as discussões”. O foco é reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.
O governo anunciou novo investimento de R$ 1,7 bilhão para a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS. O crédito será de US$ 320 milhões (R$ 1,7 bilhão), com prazo de pagamento de 30 anos, a ser financiado pelo Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS), presidido por Dilma Rousseff.
Sentimento do mercado brasileiro: cautela no curto prazo, com viés construtivo no médio prazo.
Cotações nacionais:
Ibovespa: -1,03%, aos 161.975 pontos
Dólar: +0,24%, cotado a R$ 5,3859
Em Resumo
O dia marca uma pausa no otimismo observado no início do ano, com investidores optando pela consolidação de ganhos e pela reavaliação de riscos. Apesar de sinais positivos na economia brasileira, como a taxa de desemprego em mínima histórica de 5,2%, o cenário internacional impõe maior cautela. Entre os fatores negativos, destacam-se o resultado fraco do ADP nos Estados Unidos (41 mil vagas, abaixo das 48 mil esperadas), indicando possível desaceleração do mercado de trabalho americano, além da intensificação das tensões geopolíticas em diferentes frentes, como Venezuela e Groenlândia.
No ambiente doméstico, a volatilidade política também pesa sobre o humor dos mercados, com repercussões do caso Master e incertezas judiciais ainda pendentes. Por outro lado, o Brasil apresenta fundamentos relevantes de sustentação: o mercado de trabalho segue excepcionalmente aquecido, políticas de estímulo à renda devem injetar mais de R$ 100 bilhões na economia ao longo de 2026 e a perspectiva comercial permanece sólida, com projeção de superávit entre US$ 70 e 90 bilhões, contribuindo para um cenário estruturalmente mais resiliente.
Principais pontos de atenção:
Divulgação do payroll dos EUA, que pode redefinir expectativas sobre crescimento e política monetária
Evolução das tensões geopolíticas envolvendo Venezuela, Groenlândia e grandes potências
Volatilidade nos preços do petróleo diante de mudanças na oferta global
Fluxo de capitais para mercados emergentes, especialmente o Brasil
Desdobramentos institucionais domésticos, como o caso Banco Master
Panorama IBRScore*
Principais comunicações e fatos relevantes enviados em 07/01/2026
Rossi Residencial S.A. (RSID3) – Comunicou a aquisição de participação acionária relevante, com impacto direto na estrutura de capital e no quadro de acionistas.
Kora Saúde Participações S.A. (KRSA3) – Anunciou a renúncia do Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, com a eleição de Alexandre Augusto Olivieri para assumir as funções.
Companhia Brasileira de Distribuição – GPA (PCAR3) – Comunicou a contratação de consultoria, voltada a projetos estratégicos da companhia.
B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão (B3SA3) – Divulgou a alienação de participação acionária relevante por investidor, sem alteração no controle da companhia.
Brava Energia S.A. (BRAV3) – Atualizou o mercado com dados de produção referentes a dezembro de 2025 e ao 4T25, trazendo transparência operacional.
Méliuz S.A. (CASH3) – Atualizou informações sobre o programa de recompra de ações, indicando o andamento das aquisições realizadas.
Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. – Usiminas (USIM5) – Informou a aprovação sem restrições pelo CADE da aquisição, pela Ternium, das ações da NSC e Mitsubishi vinculadas ao acordo de acionistas.
Smartfit Escola de Ginástica e Dança S.A. (SMFT3) – Divulgou a evolução da rede de academias em 2025, destacando crescimento e expansão da base de unidades.
Allied Tecnologia S.A. (ALLD3) – Comunicou a alienação de participação acionária relevante, com alteração no quadro acionário.
CVLB Brasil S.A. (CVLB3) – Divulgou alterações na composição do Conselho de Administração, sem caracterização de fato relevante.
CSU Digital S.A. (CSUD3) – Informou a alienação de participação acionária relevante, alterando a composição acionária da companhia. A Real Investor Asset Management Ltda., deterá participação equivalente a 9,96% das ações de emissão da Companhia.
Movimento da Bolsa Maiores Altas Maiores Baixas COGN3 R$ 3,58 +7,51% ASAI3 R$ 7,31 -6,30% CSNA3 R$ 9,85 +5,69% MRVE3 R$ 8,01 -4,76% BRAV3 R$ 16,13 +2,74% CYRE3 R$ 24,22 -3,66% RAIZ4 R$ 0,83 +2,47% RDOR3 R$ 40,99 -3,55%

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