Mercados em compasso de espera diante do payroll e da crise venezuelana
- Matheus Soares
- 9 de jan.
- 5 min de leitura
Atualizado: 14 de jan.
PANORAMA INTERNACIONAL: Mercados globais operam com cautela à espera do relatório de empregos dos EUA, enquanto a situação na Venezuela segue como principal vetor geopolítico.
Os mercados americanos operaram em cautela neste dia, aguardando a divulgação do relatório de empregos (payroll) de dezembro previsto para sexta-feira. O S&P500 operou perto da estabilidade fechando a sessão em +0,01% a 6.921,46 pontos, o índice referência em tecnologia Nasdaq fechou a sessão em terreno negativo Nasdaq - 0,44% a 23.480,02 pontos. Na Ásia, os mercados fecharam em queda, com destaque para Nikkei (-1,6%) e Hang Seng (-1,17%), impactados por aversão a risco. Na Europa, o índice Stoxx 600 recuou pelo segundo dia consecutivo, em meio a dados econômicos fracos e incertezas políticas.
Os pedidos iniciais de auxílio desemprego aumentaram em 8.000 na semana encerrada em 3 de janeiro, chegando a208.000 solicitações, ligeiramente abaixo da previsão de 210.000. O déficit comercial foi divulgado com expectativa de déficit de US$ 58,9 bilhões. Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, destacou que o início antecipado da temporada de declaração de impostos de 2026 (26 de janeiro) proporcionará um impulso à economia dos EUA, permitindo que os benefícios das isenções fiscais aprovadas pelos republicanos cheguem rapidamente aos americanos.
Questão crítica para investidores é a possibilidade de a Suprema Corte invalidar as tarifas emergenciais de Trump. Importadores dos EUA podem buscar até US$ 150 bilhões em reembolsos referentes a taxas já pagas, o que poderia impactar significativamente as receitas fiscais americanas.
No cenário geopolítico, a Venezuela dominou as atenções do mercado internacional. O presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao The New York Times, que os Estados Unidos poderiam governar a Venezuela e explorar suas reservas de petróleo por “muito mais tempo”, respondendo que duraria significativamente mais do que três, seis meses ou um ano. A redução de preocupações em torno da Venezuela impulsionou o mercado financeiro e aumentou o apetite por economias emergentes, beneficiando moedas como o real. Trump também afirmou que a Venezuela “não saberia como realizar eleições neste momento”, indicando visão de longo prazo para supervisão americana.
Trump elogiou a libertação de prisioneiros políticos pelo governo interino da Venezuela, chamando-a de “um sinal de paz”, e revelou ter cancelado uma segunda onda de ataques à Venezuela em razão dessa cooperação.
O Senado dos Estados Unidos aprovou apreciação de uma resolução que impede ao presidente Donald Trump determinar novas ações na Venezuela sem autorização do Congresso, sinalizando fricção política sobre a intervenção militar.
O sentimento global é de cautela, com viés de expectativa por dados chave e desdobramentos políticos.
Cotações internacionais:
Petróleo WTI: +3,16%, a US$ 57,76
Petróleo Brent: +3,39%, a US$ 61,99
Ouro: -0.04%, a US$ 4.460,70/oz
Bitcoin: -0.29%, a US$ 91.081,7
S&P 500: +0,01%, aos 6.921 pontos
MERCADO BRASILEIRO: Brasil reage à melhora do apetite global, apesar de dados domésticos fracos e juros elevados.
O mercado local teve desempenho positivo, com o Ibovespa avançando mesmo diante de indicadores econômicos decepcionantes, o índice encerra o pregão de ontem com um variação +0,59% a 162.936 pontos.
O IPCA de novembro de 2025 avançou 0,18%, moderadamente abaixo das expectativas iniciais. No resultado acumulado em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,68% para 4,46%,enquanto em 2025 o índice acumula 3,92%. Embora acima da meta do Banco Central de 3,0%,este foi o primeiro mês do ano em que o resultado acumulado ficou abaixo do teto da banda de tolerância de 4,5%.
A Selic em 12,25% ao ano, com indicação do BC de mais duas altas de 1 ponto percentual, mantém ambiente de juros elevados que pressiona investimentos e confiança de empresas e consumidores.
No cenário geopolítico, O Brasil, como vizinho direto da Venezuela compartilhando mais de 2.000 quilômetros de fronteira, enfrenta desafios em sua estrutura de inteligência de Estado para lidar com a complexidade geopolítica regional. Críticas alertam para o risco de o país permanecer dependente de informações reativas de fontes externas em vez de possuir capacidades soberana de análise estratégica.
O Conselho da UE pode destravar acordo entre Mercosul e União Europeia nesta sexta-feira, com Itália potencialmente tendo voto decisivo enquanto França reforça posição contrária à medida.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de cerimônia oficial no Palácio do Planalto em alusão aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Em seu discurso, Lula elogiou o comportamento do Supremo Tribunal Federal, dizendo que foi “magistral” e não se submeteu aos caprichos de ninguém. Defendeu que “a verdadeira democracia exige a construção de um país justo e menos individual, com mais direitos e menos privilégios”.
O presidente assinou veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria, que previa redução de penas para condenados pelos atos golpistas. O projeto aprovado pelo Congresso em 2025 beneficiaria principalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão, reduzindo seu tempo em regime fechado para cerca de dois anos e quatro meses, caso fosse sancionado.
O ministro da Justiça Ricardo Lewandowski defendeu que crimes contra o Estado Democrático de Direito são imprescritíveis, impassíveis de indulto, graça ou anistia, conforme estabelecido pela Constituição e decisão do STF.
O presidente Lula e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, rejeitam a divisão do mundo em zonas de influência, criticando publicamente as ações dos EUA na Venezuela.
O sentimento do mercado brasileiro é de resiliência cautelosa, com ganhos moderados e atenção redobrada ao cenário externo.
Cotações nacionais:
Ibovespa: +0,59%, aos 162.936 pontos
Dólar: +0,05%, cotado a R$ 5,3881
Em Resumo
O dia 8 de janeiro de 2026 foi marcado por tensões geopolíticas significativas no plano internacional, particularmente em torno da Venezuela, onde a administração Trump intensificou seu controle sobre o país. Simultaneamente, o Brasil enfrentou leitura negativa de seus indicadores econômicos internos, com produção industrial estagnada em comparação mensal e em queda anual. A inflação, embora em processo de moderação, permanece acima das metas do Banco Central, sustentando ambiente de juros elevados que pressiona investimentos.
No mercado financeiro, a cautela predominou ante a iminente divulgação do payroll americano de dezembro, considerado crítico para definir trajetória de juros do Federal Reserve em 2026.Commodities como petróleo responderam positivamente à redução de preocupações com Venezuela, enquanto ouro sofreu realização de lucros. O Ibovespa manteve aceleração modesta de 0,59%, refletindo mercado resiliente mas aguardando principais catalisadores.
Principais pontos de atenção:
Divulgação do payroll dos EUA e seus impactos sobre juros globais
Inflação brasileira ainda acima da meta e política monetária restritiva
Fragilidade da produção industrial no Brasil
Desdobramentos geopolíticos na Venezuela e efeitos regionais
Possível aumento de volatilidade em câmbio e mercados globais
Panorama IBRScore* - Principais fatos relevantes publicados em 08/01/2026
EcoRodovias Concessões e Serviços S.A. (ECOR3) – Teve aprovado acordo de investimento com a Motiva (MOTV3) para a operação conjunta de uma plataforma digital, iniciativa voltada à inovação, eficiência operacional e novos serviços no ecossistema de mobilidade.
Companhia Brasileira de Distribuição – GPA (PCAR3) – Anunciou alterações na Diretoria Executiva Estatutária, com mudanças na composição da alta administração.
Movimento da Bolsa Maiores Altas Maiores Baixas BRAV3 R$ 17,05 +5,70% HAPV3 R$ 15,37 -4,77% BRKM5 R$ 8,07 +3,99% PSSA3 R$ 47,39 -4,55% CPFE3 R$ 54,03 +3,15% WEGE3 R$ 45,71 -4,17% CVCB3 R$ 2,35 +2,62% HYPE3 R$ 23,15 -2,16%


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