Dados fracos de emprego nos EUA impulsionam apostas em cortes de juros e ativos de risco
- Matheus Soares
- 12 de jan.
- 5 min de leitura
Atualizado: 14 de jan.
PANORAMA INTERNACIONAL: Mercados globais reagem positivamente à fraqueza do mercado de trabalho americano e ao avanço diplomático do acordo Mercosul–UE.
Os mercados acionários americanos responderam positivamente aos dados fracos de emprego, que sinalizam possibilidade de alívio nas taxas de juros. O S&P 500 avançou 0,65%, o Nasdaq ganhou 0,81% e o Dow Jones subiu 0,48%. Na Europa, o sentimento foi sustentado pela aprovação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, enquanto os mercados asiáticos operaram de forma mais cautelosa diante do cenário geopolítico.
O mercado de trabalho americano apresentou resultado significativamente abaixo das expectativas no mês de dezembro de 2025. O payroll revelou a criação de apenas 50 mil vagas não agrícolas, muito inferior aos 70 mil empregos esperados pelo mercado. Este resultado reforçou a aposta em cortes de juros pelo Federal Reserve durante 2026, elevando a probabilidade de dois cortes ao longo do ano.
O enfraquecimento do dólar americano ocorreu de forma expressiva, refletindo tanto a reação negativa aos dados de emprego quanto as tensões entre o presidente Donald Trump e o Federal Reserve sobre a independência da instituição. Trump ameaçou Trump com indiciamento criminal por seu testemunho ao Senado, criando incerteza sobre a autonomia do banco central.
No cenário geopolítico, os países da União Europeia aprovaram provisoriamente o maior acordo comercial já negociado pelo bloco nesta sexta-feira (9). A decisão, tomada durante reunião do Conselho da UE em Bruxelas, representa conclusão de negociações que duraram mais de 26 anos. A aprovação obteve apoio de ampla maioria dos Estados-membros europeus, com apenas cinco países votando contra (Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia) e a Bélgica se abstendo. O acordo reúne duas dos maiores potências econômicas mundiais, abrangendo aproximadamente 720 milhões de pessoas com PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões.
Em termos comerciais, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos, enquanto a União Europeia reduzirá progressivamente taxas sobre 92% das exportações do Mercosul em até 10-15 anos. A assinatura do acordo está prevista para 17 de janeiro de 2026, no Paraguai, mas a ratificação ainda dependerá de aprovação do Parlamento Europeu.
Donald Trump realizou uma reunião com executivos de grandes petroleiras na Casa Branca, pressionando-os a investirem US$ 100 bilhões na Venezuela para expandir a produção de petróleo. Esta ação ocorre após a captura de Nicolás Maduro em operação militar norte-americana realizada em 3 de janeiro. O governo venezuelano confirmou ter iniciado um “processo exploratório de natureza diplomática” com os Estados Unidos, visando restabelecer missões diplomáticas em ambos os países.
A situação na Venezuela reverberou significativamente no Irã, que enfrentava não apenas o bloqueio do comércio paralelo com Caracas (envolvendo petróleo e ouro), mas também manifestações internas que constituem as maiores desde 2022-23. A ruptura dessa cooperação bilateral aprofundou a crise econômica iraniana em contexto de sanções intensificadas.
O sentimento global é de otimismo cauteloso, sustentado por expectativas de flexibilização monetária, mas com atenção elevada aos riscos políticos e geopolíticos.
Cotações internacionais:
Petróleo WTI: +2,35%, a US$ 59,12
Petróleo Brent: +2,18%, a US$ 63,34
Ouro: consolidação, em torno de US$ 4.466/oz
Bitcoin: lateral, em torno de US$ 91.063
S&P 500: +0,65%, aos 6.966,28 pontos
MERCADO BRASILEIRO: Brasil se beneficia do cenário externo mais favorável e da confirmação da desinflação doméstica.
O Ibovespa encerrou em alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos, com acumulado semanal de1,76%. O dólar apresentou recuo de 0,37% no dia, cotado a R$ 5,37, com fraqueza acumulada de 1,08% na semana. O movimento reflete a combinação de dólar globalmente mais fraco, inflação controlada e expectativa de cortes de juros tanto no exterior quanto, futuramente, no Brasil.
O IPCA de dezembro confirmou a trajetória de desinflação, com o índice avançando 0,33% no mês, praticamente em linha com a expectativa de 0,35%. A inflação acumulada de 2025fechou em 4,26%, bem abaixo do teto da meta do Banco Central e 0,57 ponto percentual menor que 2024.
Este resultado consolidou as expectativas do mercado quanto à manutenção da taxa Selic em 15% na próxima reunião do Copom, com apostas cada vez mais presentes de cortes de juros apenas a partir de março de 2026.
A curva de juros futuros apresentou movimento modesto , com o DI para janeiro de 2028subindo 3 pontos-base para 13,015%, enquanto o DI para janeiro de 2035 recuou 4 pontos-base para 13,525%. A produção industrial brasileira permaneceu estável em novembro ante outubro, mas apresentou queda de 1,2% na comparação anual.
No campo político-diplomático, a aprovação histórica do acordo Mercosul–União Europeia após 26 anos de negociações fortaleceu a percepção de ganhos estruturais para o Brasil, o presidente Lula caracterizou a aprovação como “vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação”, afirmando que o acordo reforça o multilateralismo diante de um cenário de crescente protecionismo e unilateralismo.
O governo brasileiro também se posicionou firmemente contra intervenções militares na Venezuela, com o embaixador brasileiro na ONU rejeitando de forma “categórica e com a maior firmeza” o ataque em território venezuelano, considerando-o violação da Carta das Nações Unidas.
O sentimento do mercado brasileiro é de expectativa construtiva, com viés positivo para ativos de risco, mas ainda dependente do cenário externo e da política monetária.
Cotações nacionais:
Ibovespa: +0,27%, aos 163.370,31 pontos
Dólar: −0,37%, cotado a R$ 5,37
Em Resumo
O dia marca um ponto de inflexão significativo para os mercados globais, combinando sinais econômicos positivos para ciclos de cortes de juros com marcos diplomáticos históricos.
Economicamente, a fraqueza do mercado de trabalho americano abre perspectivas concretas de alívio monetário pelo Federal Reserve ao longo de 2026, beneficiando ativos de risco e economias emergentes. O Brasil emerge como beneficiário direto deste cenário, com inflação controlada, potencial para redução de juros e moeda fortalecida frente ao dólar enfraquecido.
Diplomaticamente, a aprovação do acordo Mercosul-UE após 26 anos de negociações representa vitória do multilateralismo e acesso a novos mercados para exportadores brasileiros. Simultaneamente, a reconfiguração geopolítica na Venezuela sob supervisão americana cria incertezas sobre oferta de energia global e dinâmicas regionais.
Principais pontos de atenção:
Expectativa e timing dos cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026
Desdobramentos geopolíticos na Venezuela e impactos sobre petróleo e mercados emergentes
Implementação e ratificação do acordo Mercosul–União Europeia
Trajetória da inflação brasileira e início do ciclo de cortes da Selic
Volatilidade em criptoativos devido à liquidez reduzida e sensibilidade a notícias políticas
Panorama IBRScore*
Principais fatos relevantes enviados em 12/01/2025
Brava Energia S.A. (BRAV3) – Anunciou a renúncia do Diretor-Presidente, com definição de sucessão, além da substituição do Presidente do Conselho de Administração, marcando mudança relevante na alta liderança.
BRB – Banco de Brasília S.A. (BSLI3 / BSLI4) – Comunicou a eleição dos novos titulares da DIPES e da DINED, com alterações na diretoria estatutária.
PRIO S.A. (PRIO3) – Comunicou aumento de capital decorrente do exercício de opções de compra de ações, ampliando o número de ações em circulação.
Banco da Amazônia S.A. (BAZA3) – Informou a transferência das ações do Fundo de Investimento Caixa FGEDUC para a União Federal, alterando a composição acionária.
Azul S.A. (AZUL4 / AZUL3) – Anunciou o lançamento de oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais, com objetivo de captação de recursos.
Gol Linhas Aéreas Inteligentes S.A. (GOLL4) – Divulgou laudo de avaliação relacionado à GIB, etapa relevante em processos societários e financeiros da companhia.
Unidas Locações e Serviços S.A. (LCAM3) – Aprovou a 21ª emissão de debêntures simples, voltada ao financiamento e gestão do passivo.
Infracommerce CXaaS S.A. (IFCM3) – Comunicou a realização de aumento de capital privado, reforçando a estrutura financeira da companhia.
Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. (ONCO3) – Informou a sucessão do Presidente da Companhia, com mudança na liderança executiva.
Movimento da Bolsa Maiores Altas Maiores Baixas CVCB3 R$ 2,52 +7,23% ASAI3 R$ 7,04 -4,22% SMTO3 R$ 14,91 +5,82% AZZA3 R$ 23,69 -4,13% MULT3 R$ 28,69 +4,25% MGLU3 R$ 8,88 -3,69% COGN3 R$ 3,68 +3,95% PCAR3 R$ 3,85 -3,27%



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