Recorde Histórico no Brasil em Meio a Tensões Geopolíticas Globais
- Matheus Soares
- 15 de jan.
- 5 min de leitura
PANORAMA INTERNACIONAL: Cautela global com temporada de balanços nos EUA e escalada geopolítica EUA–Irã elevando prêmio de risco em commodities.
As bolsas internacionais operaram em tom negativo. Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,53% em meio à aversão ao risco, puxada pela expectativa pelos balanços (especialmente de grandes bancos) e pela espera dos dados de inflação ao produtor (PPI). Na Europa, o humor foi igualmente defensivo, acompanhando o cenário político global. Na Ásia, os mercados oscilaram com investidores adotando postura mais conservadora diante das incertezas macroeconômicas e geopolíticas.
O movimento de aversão ao risco foi impulsionado pela expectativa em torno da temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos, especialmente dos grandes bancos, e pela aguardada divulgação de dados de inflação ao produtor (PPI). A incerteza política também contribuiu para o clima, com a Suprema Corte dos EUA não emitindo uma decisão sobre as tarifas propostas pela administração Trump, mantendo um ponto de interrogação sobre o futuro do comércio global.
No cenário geopolítico, a escalada de tensões entre EUA e Irã dominou o noticiário, com ameaças de retaliação e movimentação/retirada de pessoal americano em algumas bases, elevando o risco de choque na região. Esse vetor geopolítico se transmitiu diretamente para commodities, sustentando alta do petróleo e reforçando a busca por proteção em ativos de refúgio.
O Fórum Econômico Mundial (WEF) classificou conflitos geoeconômicos como o principal risco para 2026, o que ajuda a explicar o viés mais defensivo do mercado mesmo antes de eventos concretos. Donald Trump reiterou o desejo de adquirir a Groenlândia em reuniões com autoridades da Dinamarca, reforçando ruídos diplomáticos em paralelo à agenda tarifária.
O sentimento dos mercados globais é de expectativa com viés de cautela, com investidores buscando proteção em ativos defensivos.
Cotações internacionais:
Petróleo WTI: +2,77%, a US$ 61,15
Petróleo Brent: +1,60%, a US$ 66,52
Ouro: +0,80%, a US$ 4.635,70/oz
Bitcoin: +4,00%, a US$ 95.000+
S&P 500: -0,53%, aos 6.926,60 pontos
MERCADO BRASILEIRO: Ibovespa renova máxima histórica impulsionado por fluxo estrangeiro e valorização das blue chips.
O mercado local destoou do exterior: o Ibovespa bateu novo recorde histórico ao fechar em 165.146 pontos (+1,96%), sustentado por fluxo estrangeiro e valorização de blue chips, além de uma leitura mais construtiva de médio/longo prazo para lucros. No lado de “tese de alta”, o Itaú BBA elevou a projeção para o Ibovespa para 185 mil pontos no fim de 2026, citando valuation atrativo e potencial de crescimento de lucros. No lado de risco, o próprio relatório ressalta o cenário fiscal doméstico como o principal ponto que pode limitar flexibilização monetária e expansão de múltiplos.
No campo macroeconômico, apesar do otimismo da bolsa, o Banco Mundial revisou para baixo sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026, projetando uma expansão de cerca de 2,0%, abaixo da previsão anterior de 2,2%. A revisão faz parte da mais recente edição do relatório Perspectivas Econômicas Globais e reflete um cenário em que o crescimento do país perde fôlego em relação a 2025, quando foi estimado em cerca de 2,3%, de acordo com a instituição. As projeções para 2027 indicam uma recuperação moderada, com crescimento esperado em torno de 2,3%.
O relatório do Banco Mundial ressalta que a economia brasileira e a global enfrentam desafios como juros reais elevados, incertezas no cenário externo e um ambiente de comércio internacional mais hostil, fatores que podem frear investimentos e exportações no país. Mesmo com expectativas de alguma flexibilização da política monetária, o documento aponta que o ritmo de crescimento continuará limitado por essas pressões internas e externas, e que a trajetória da dívida pública brasileira permanece em ascensão, o que pode influenciar a sustentabilidade fiscal.
No campo diplomático, o navio-hospital chinês Ark Silk Road permaneceu no porto do Rio de Janeiro entre 8 e 15 de janeiro de 2026, após autorização do governo brasileiro dada em setembro de 2025, gerando desconforto entre autoridades do Itamaraty e da Marinha do Brasil. Embora apresentado oficialmente como parte de uma missão humanitária (Missão Harmony 2025), a nota diplomática enviada pela China não mencionava objetivos claros nem atividades médicas, e militares brasileiros levantaram suspeitas de que a embarcação contaria com equipamentos de vigilância, sensores e radares capazes de coletar informações estratégicas sobre infraestrutura portuária e o litoral brasileiro.
A falta de transparência sobre a verdadeira natureza da visita, junto ao contexto de competição geopolítica na região, intensificou a apreensão de setores da defesa e da diplomacia, que consideraram a presença do navio em águas brasileiras sensível do ponto de vista de segurança. Autoridades de saúde no Rio de Janeiro reforçaram que não haveria atendimento médico a brasileiros a bordo, e a visita foi tratada pelo governo como uma ação diplomática para estreitar laços, apesar das críticas internas.
O sentimento do mercado brasileiro é de otimismo moderado, sustentado por fatores locais, mas atento aos riscos fiscais e externos.
Cotações nacionais:
Ibovespa: +1,96%, aos 165.146 pontos
Dólar: +0,49%, cotado a R$ 5,4016
Em Resumo
O dia foi marcado por uma divergência de sentimentos entre os mercados. O Brasil celebrou um novo recorde histórico na bolsa, refletindo um otimismo doméstico e a entrada de capital, apesar da revisão para baixo do crescimento do PIB pelo Banco Mundial.
Globalmente, a tônica foi de cautela e aversão ao risco, com o S&P 500 em queda e a valorização simultânea de ativos de proteção como o Ouro e o Petróleo, este último impulsionado pelas tensões no Oriente Médio. A forte alta do Bitcoin sugere que o apetite por risco em ativos digitais se manteve elevado, possivelmente como uma alternativa de proteção contra a instabilidade política e econômica tradicional.
A principal conclusão é que o mercado brasileiro está se beneficiando de fatores idiossincráticos, mas permanece vulnerável a choques externos e ao risco fiscal interno.
Principais pontos de atenção:
Evolução das tensões geopolíticas entre EUA e Irã e seus impactos sobre o petróleo
Temporada de balanços nos Estados Unidos e dados de inflação (PPI)
Sustentabilidade fiscal no Brasil e seus efeitos sobre juros e múltiplos
Volatilidade em commodities e fluxo de capitais internacionais
Panorama IBRScore
Principais fatos relevantes enviados em 14/01/2025
Companhia Siderúrgica Nacional – CSN (CSNA3) – Divulgou atualização estratégica, abordando diretrizes corporativas e posicionamento do grupo, com potencial impacto na alocação de capital e na estratégia de longo prazo.
Moura Dubeux Engenharia S.A. (MDNE3) – Comunicou o lançamento de oferta pública primária de ações, reforçando a estratégia de captação de recursos para crescimento e fortalecimento da estrutura de capital.
Movida Participações S.A. (MOVI3) – Divulgou o atingimento dos indicadores financeiros do guidance, além da prévia dos resultados do 4T25 e do exercício de 2025, sinalizando desempenho operacional em linha com o planejado.
Companhia Brasileira de Distribuição – GPA (PCAR3) – Comunicou a eleição de novos membros para o Conselho de Administração, reforçando a governança corporativa.
São Martinho S.A. (SMTO3) – Anunciou a incorporação da Nova Egito Agrícola Ltda., operação voltada à simplificação societária e ganhos operacionais.
Vibra Energia S.A. (VBBR3) – Comunicou a nomeação de novo Vice-Presidente Executivo Financeiro e de Relações com Investidores (CFO/RI), mudança relevante na alta administração.



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