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Inflação sob controle nos EUA e tensão geopolítica elevam volatilidade global

PANORAMA INTERNACIONAL: A moderação da inflação nos Estados Unidos contrastou com a escalada das tensões no Oriente Médio, ditando o humor dos mercados globais.


Nos EUA, Wall Street iniciou positiva em reação aos dados de inflação, mas o humor reverteu com início de temporada de balanços corporativos e escalada de tensões geopolíticas. JP Morgan advertiu sobre margens bancárias comprimidas, impactando setor financeiro globalmente. O S&P 500 recuou 0,19%, pressionado por ações do setor financeiro durante o início da temporada de balanços. Na Europa, os principais índices fecharam de forma mista, refletindo cautela com o crescimento global e riscos geopolíticos. Já na Ásia, as bolsas tiveram desempenho moderado, com investidores atentos à desaceleração econômica global projetada pelo Banco Mundial.


O cenário econômico global foi marcado por moderação inflacionária nos EUA, contrastando com escalada de tensões geopolíticas no Irã. O índice de preços ao consumidor (CPI) americano cresceu 0,31% em dezembro, com variação anual de 2,68%, confirmando expectativas de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve. O Banco Mundial projeta desaceleração do crescimento global para 2,6% em 2026, com economia americana expandindo 2,2%, enquanto mercados emergentes desaceleram para 4% ante 4,2% em 2025.


A principal disrupção veio de Trump, que anunciou tarifas imediatas de 25% sobre produtos de países que fazem negócios com o Irã. A medida afeta significativamente parceiros comerciais globais, incluindo China, Índia e Brasil. Paralelamente, o presidente americano ampliou ameaças de intervenção militar contra o regime iraniano, que enfrenta sua terceira semana consecutiva de protestos massivos.


Os preços do petróleo responderam positivamente à incerteza geopolítica. O WTI subiu 2,77% para US$ 61,15 por barril, enquanto o Brent avançou 2,51% a US$ 65,47. A preocupação com interrupções nas exportações iranianas (aproximadamente 3,3 milhões de barris diários) superou expectativas de aumento de oferta venezuelana.


No cenário geopolítico, a crise no Irã atingiu escala crítica em 13 de janeiro. Manifestações iniciadas em 28 de dezembro de 2025 evoluíram para a terceira semana com alcance nacional. Autoridades iranianas relatam aproximadamente 2.000 mortos durante repressão, embora organizações de direitos humanos como HRANA reportem números mais conservadores (538 mortes entre manifestantes e policiais). Mais de 10.670 pessoas foram presas, e relatos de força letal contra manifestantes são generalizados.


As manifestações originaram-se de demandas por melhores condições econômicas—inflação elevada, desvalorização da moeda iraniana e crise de custo de vida—mas evoluíram para reivindicações políticas contra o regime dos aiatolás. O governo iraniano enfrenta colapso econômico com inflação que elevou preços de alimentos em até 70%, alimentos respondendo por um terço das importações nacionais.


A reação internacional foi imediata. Trump prometeu “ajuda” aos manifestantes e ameaçou ação militar, descrevendo-a como “muito forte”. A ONU, através de Volker Türk, alto comissário para Direitos Humanos, expressou horror com a repressão e denunciou crimes contra direitos humanos. A União Europeia cobrou fim da violência e admitiu endurecer sanções. O Brasil emitiu nota oficial lamentando as mortes e transmitindo preocupação, embora com atraso em relação a outros países.


Sentimento dos mercados globais: cautela elevada, com viés defensivo diante de riscos geopolíticos e juros altos por mais tempo.


Cotações internacionais:

  • Petróleo WTI: +2,77%, a US$ 61,15

  • Petróleo Brent: +2,51%, a US$ 65,47

  • Ouro: -0,34%, a US$ 4.599,10/oz

  • Bitcoin: +4,52%, a US$ 95.395,50

  • S&P 500: -0,19%, aos 6.963,74 pontos


MERCADO BRASILEIRO: O mercado brasileiro foi impactado pela aversão global ao risco e por revisões negativas para o crescimento econômico.


O Ibovespa caiu 0,72%, aos 161.973 pontos, acompanhando o mau humor de Wall Street e pressionado principalmente por ações de bancos. A alta do petróleo ajudou a limitar perdas, com Petrobras registrando forte valorização. O dólar fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,37, refletindo equilíbrio entre fluxo externo e cautela local.


A economia brasileira enfrenta desaceleração projetada. O Banco Mundial reduziu a previsão decrescimento do PIB para 2026 de 2,2% para 2%, após revisão de 2025 de 2,4% para 2,3%. A desaceleração reflete combinação de juros reais elevados, com Selic em 15% a.a., além de incerteza comercial global e pressões das tarifas de Trump.


O Boletim Focus, veja a análise detalhada neste relatório, mostrou estabilidade nas projeções macroeconômicas. A inflação esperada para 2026 recuou marginalmente de 4,06% para 4,05%, permanecendo dentro do intervalo de meta (3% ± 1,5%). A taxa Selic foi mantida em projeção de 12,25% para fim de 2026, com expectativas de início de cortes em março. O PIB permaneceu projetado em crescimento de 1,80% em 2026, pela quinta semana consecutiva.


No plano institucional, o Banco Central resolveu negociadamente a crise com o Tribunal de Contas da União sobre o caso Banco Master. O BC desistiu de recursos contra auditoria técnica, afastando a possibilidade de revisão da liquidação e reduzindo tensão regulatória significativa que pressionava o mercado. Os técnicos do TCU iniciaram investigação focada em documentação que embasou a decisão de liquidação em novembro de 2025.


Aspecto crítico: Brasil pode ser alvo das tarifas de Trump para países parceiros comerciais do Irã, uma vez que vendeu aproximadamente US$ 2,9 bilhões para Teerã em 2025.


Sentimento do mercado brasileiro: cautela, com seletividade setorial e foco em ativos defensivos.


Cotações nacionais:

  • Ibovespa: -0,72%, aos 161.973 pontos

  • Dólar: +0,06%, cotado a R$ 5,375


Em Resumo


O dia consolidou três narrativas convergentes: (1) moderação inflacionária americana sustentando juros elevados e aversão global ao risco; (2) crise geopolítica iraniana criando prêmio de risco em commodities e volatilidade em ações; (3) alívio institucional brasileiro removendo incerteza regulatória imediata, mas deixando vulnerabilidades de crescimento e tarifa intactas.


A economia global caminha para crescimento insuficiente em 2026, com desempenho concentrado em economias avançadas. Brasil enfrenta duplo desafio: crescimento baixo de 2%combinado com juros reais persistentemente elevados em 15% a.a., inadequado para resolver pressões fiscais. O risco de tarifas Trump representa ameaça adicional às exportações brasileiras, particularmente a setores ligados ao comércio com Irã.


Principais pontos de atenção:

  • Escalada das tensões no Irã e possíveis impactos sobre petróleo e inflação global.

  • Política monetária do Fed e manutenção de juros elevados por mais tempo.

  • Risco de tarifas comerciais dos EUA afetando exportações brasileiras.

  • Volatilidade nos mercados acionários e início da temporada de balanços.

  • Fluxo de capitais e comportamento do dólar frente a mercados emergentes.


Panorama IBRScore*


Principais fatos relevantes enviados em 14/01/2025


  • BRB – Banco de Brasília S.A. (BSLI3 / BSLI4) – Comunicou a indicação de nomes para composição do Conselho de Administração, etapa relevante do processo de governança.

  • You Inc Incorporadora e Participação S.A. (YDUQ3) – Divulgou complemento ao fato relevante de julho de 2025, detalhando a alienação de parte da participação societária em quatro projetos imobiliários.

  • Moura Dubeux Engenharia S.A. (MDNE3) – Informou a avaliação de potencial oferta pública de ações, sem definição final sobre estrutura, volume ou cronograma.

  • Azul S.A. (AZUL4 / AZUL3) – Comunicou as manifestações de exercício dos bônus de subscrição emitidos no contexto da recente oferta pública de ações. Anunciou também o encerramento da oferta pública primária, a conversão das ações preferenciais em ordinárias e atualizações sobre a implementação do plano de Chapter 11.

  • SLC Agrícola S.A. (SLCE3) – Divulgou ajuste no preço final da aquisição da Sierentz Agro Brasil Ltda., conforme previsto em contrato.

  • Irani Papel e Embalagem S.A. (RANI3) – Comunicou mudanças na Diretoria, com a renúncia do Diretor de Administração, Finanças e RI e a eleição de novo executivo, além da ratificação da composição da diretoria.

  • Neogrid Participações S.A. (NGRD3) – Informou a suspensão temporária da oferta pública de aquisição, até o cumprimento de determinadas condições.

  • Tupy S.A. (TUPY3) – Convocou Assembleia Geral Extraordinária, com matérias relevantes a serem deliberadas pelos acionistas.

  • Infracommerce CXaaS S.A. (IFCM3) – Reiterou informações sobre o aumento de capital privado, reforçando sua estrutura financeira.


Movimento da Bolsa Maiores Altas Maiores Baixas PETR3 R$ 33,04 +3,41% HAPV3 R$ 13,98 -8,39% PETR4 R$ 31,14 +2,57% YDUQ3 R$ 12,42 -4,75% GGBR4 R$ 21,66 +1,93% VIVA3 R$ 29,50 -4,59% GOAU4 R$ 9,47 +1,83% MGLU3 R$ 8,20 -4,43%



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