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Mercados globais seguem defensivos com juros elevados e Brasil reage a dados fiscais e monetários

Atualizado: 14 de jan.

PANORAMA INTERNACIONAL: Mercados globais operam com cautela diante da manutenção de juros elevados e da persistência de riscos geopolíticos.


Daily Performance of Major Asset Classes
Daily Performance of Major Asset Classes

As bolsas de valores globais encerraram em território amplamente positivo. Nos Estados Unidos, os principais índices oscilaram próximos da estabilidade, refletindo a avaliação de que o Federal Reserve deve manter política monetária restritiva por mais tempo. Dow Jones 49.462,08 (+0,99%) primeira vez, S&P 500 6.944,82 (+0,62%) atinge nova máxima histórica e Nasdaq 23.547,17 (+0,65%) revertendo 5 quedas consecutivas. Na Europa, os mercados recuaram levemente, pressionados por dados fracos de atividade econômica. Na Ásia, o desempenho foi moderado, com investidores atentos às medidas de estímulo na China e ao crescimento regional.


Apesar do ambiente de risco positivo, indicadores econômicos sinalizaram desaceleração. OPMI de serviços dos Estados Unidos caiu de 54,1 em novembro para 52,5 em dezembro, ficando abaixo da expectativa de consenso de 52,9 pontos e da leitura preliminar. A desaceleração mais acentuada do que o antecipado reforça a percepção de que a atividade econômica está perdendo impulso, embora ainda se mantenha em território expansionista (acima de 50 pontos).


Com relação à política monetária, o Federal Reserve realizará sua primeira reunião de 2026 nos dias 27 e 28 de janeiro. O mercado consolidou expectativas de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com cortes graduais projetados apenas para a segunda metade do ano. O fim do mandato de Jerome Powell como presidente do Fed em maio de 2026adiciona incerteza ao panorama, com especulações de que o presidente Donald Trump nomeará um sucessor com perfil mais acomodatício.


Do ponto de vista econômico, a Zona do Euro apresentou sinais de crescimento moderado e frágil. A inflação na Zona do Euro desacelerou de 2,1% em novembro para 2,0% em dezembro, alinhando-se à meta oficial do Banco Central Europeu (BCE). A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, recuou de 2,4% para 2,3%. Na França, a inflação também arrefeceu, passando de 0,9% para 0,8%, impulsionada principalmente pela queda mais acentuada dos preços de energia.


Os mercados asiáticos experimentaram sessões de forte valorização. Índices no Japão, Singapura e Coreia do Sul atingiram máximas históricas de fechamento, com destaque para a Coreia do Sul, que subiu mais de 7% no dia. O desempenho robusto reflete apetite global por risco e otimismo em relação ao crescimento econômico regional.


O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ganhou novo impulso após a Itália sinalizar apoio, tornando-se fator decisivo para a aprovação. Uma fonte da União Europeia confirmou que a Itália votaria a favor do acordo em reunião marcada para sexta-feira, e a Comissão Europeia busca obter ampla maioria de 15 Estados membros, representando 65% da população da UE, necessária para autorizar a assinatura, possivelmente já em 12 de janeiro.


O vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou otimismo, afirmando que o acordo está “bem encaminhado” e que “será o maior acordo do mundo” em termos de fortalecimento do multilateralismo e livre comércio. “Quero reiterar que nós estamos otimistas e é muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global que, no momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável, de protecionismo, será o maior acordo do mundo”, declarou Alckmin.


Sentimento dos mercados globais: cautela, com viés defensivo e seletividade na alocação.


Cotações internacionais:

  • Petróleo WTI: -2.04%, a US$ 57,13

  • Petróleo Brent: -1.72%, a US$ 60,70

  • Ouro: +1.00%, a US$ 4.496,10/oz

  • Bitcoin: -0.13%, a US$ 93.739,3

  • S&P 500: +0.62%, aos 6.944,82 pontos

MERCADO BRASILEIRO: Mercado local reage a dados fiscais e sinalizações do Banco Central, com câmbio e juros no foco.


O mercado financeiro brasileiro seguiu a onda de otimismo global. O Ibovespa fechou em163.663 pontos, com alta de 1,11%, retornando ao maior nível desde 4 de dezembro. A valorização foi quase generalizada na carteira teórica, com 85 papéis avançando. O movimento refletiu ajustes técnicos e expectativa por maior previsibilidade na política monetária ao longo do primeiro trimestre de 2026. O volume financeiro permaneceu moderado.


O destaque da agenda econômica brasileira foi a divulgação do PMI de Serviços, que subiu de50,1 pontos em novembro para 53,7 pontos em dezembro, marcando a expansão mais rápida em mais de um ano. A S&P Global destacou que houve melhoria substancial na demanda por serviços, com as vendas crescendo pelo segundo mês consecutivo e na maior proporção desde novembro de 2024. A produção aumentou no maior ritmo em 14 meses, e os fornecedores de serviços intensificaram contratações no ritmo mais rápido desde março.


A taxa Selic permanece em 15% ao ano, seu maior nível desde julho de 2006. As expectativas do mercado sobre a trajetória futura dos juros divergem. Enquanto a mediana do Boletim Focus aponta para manutenção da Selic em janeiro de 2026, o Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima projeta o início do ciclo de queda já na primeira reunião do ano, com corte de 0,25 ponto percentual. A projeção majoritária indica que a Selic encerrará 2026 entre 12% e 12,25%ao ano.


As projeções de inflação para 2026 foram discretamente elevadas de 4,05% para 4,06% no Boletim Focus, interrompendo sequência de oito semanas consecutivas de queda. A meta de inflação do Conselho Monetário Nacional para 2025 é de 3%, com margem de tolerância de 1,5ponto percentual (intervalo de 1,5% a 4,5%).


A Reforma Tributária entra em fase de testes em 2026, com alíquota de teste de 1% (0,9% de CBS federal e 0,1% de IBS estadual/municipal), que será deduzida dos tributos atuais. A extinção gradual de PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI começará em 2027.


O presidente Lula teria conversado brevemente com a líder interina da Venezuela após a captura de Maduro. Curiosamente, os EUA admitiram que o grupo venezuelano “Cartel de los Soles” não é real, com documentos do processo contra Maduro abandonando a ideia de cartel formal e referindo-se a uma cultura de corrupção.


Sentimento do mercado brasileiro: expectativa cautelosa, com foco em juros, fiscal e fluxo de capitais.


Cotações nacionais:

  • Ibovespa: +1.11%, aos 163.664 pontos

  • Dólar: -0.70%, cotado a R$ 5,3722

Em Resumo


O dia foi marcado por otimismo generalizado nos mercados de risco globais, com bolsas de valores atingindo recordes históricos nos Estados Unidos, Europa e Ásia. O movimento foi impulsionado por expectativas positivas para o setor de tecnologia, especialmente semicondutores e inteligência artificial, e por um ambiente de baixa percepção de risco geopolítico apesar da captura de Nicolás Maduro na Venezuela.


Nos Estados Unidos, o Dow Jones ultrapassou pela primeira vez os 49.000 pontos e o S&P 500atingiu novo recorde, refletindo confiança dos investidores no início do ano. Contudo, indicadores econômicos sinalizaram desaceleração, com o PMI de serviços caindo mais do que o esperado, o que mantém o Federal Reserve em modo cauteloso quanto a cortes de juros.


No Brasil, o mercado financeiro acompanhou o otimismo global. O Ibovespa subiu 1,11%,impulsionado pela Vale e setor financeiro, enquanto o dólar registrou quarta queda consecutiva. Dados do PMI de Serviços mostraram expansão mais rápida em mais de um ano, evidenciando recuperação assimétrica da economia com indústria ainda em contração. A balança comercial registrou superávit recorde em dezembro, mas o resultado anual de 2025 ficou abaixo de 2024,pressionado por aumento de importações e queda nas exportações aos EUA devido ao ”tarifaço” de Trump.


Principais pontos de atenção:

  • Comunicação e decisões do Federal Reserve sobre juros

  • Evolução da inflação e da política monetária no Brasil

  • Situação fiscal e credibilidade do arcabouço fiscal

  • Volatilidade do câmbio e fluxo de capitais estrangeiros

  • Comportamento de commodities e ativos de proteção

Panorama IBRScore*


Principais fatos relevantes enviados em 06/01/2025


  • Méliuz S.A. (CASH3) – Informou o recebimento de auto de infração, com potenciais impactos fiscais e financeiros ainda em avaliação pela companhia.

  • Azul S.A. (AZUL4 / AZUL3) – Divulgou o resultado do procedimento de alocação da oferta pública primária de ações ordinárias e preferenciais, concluindo etapa relevante de captação de recursos.

  • Odontoprev S.A. (ODPV3) – Comunicou reorganização societária sem alteração do controlador final, sem impactos esperados na estrutura de controle.

  • TOTVS S.A. (TOTS3) – Aprovou a 6ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, voltada ao alongamento do perfil da dívida e reforço de caixa.

  • Grupo Mateus S.A. (GMAT3) – Divulgou a homologação do aumento de capital, fortalecendo a estrutura patrimonial da companhia.

  • Neogrid Participações S.A. (NGRD3) – Convocou Assembleia Especial, com deliberações relevantes para determinada classe de acionistas.

  • Tegra Incorporadora S.A. (TEGA3) – Informou a delistagem da B3, encerrando a negociação de suas ações no mercado brasileiro.

  • D1000 Varejo Farma Participações S.A. (DMVF3) – Anunciou o plano de abertura de novas lojas em 2026, reforçando a estratégia de expansão orgânica.


Movimento da Bolsa Maiores Altas Maiores Baixas HAPV3 R$ 16,49 +8,70% VIVA3 R$ 30,30 -3,19% ASAI3 R$ 7,80 +5,62% PETR3 R$ 31,15 -1,92% BRKM5 R$ 7,99 +5,13% PETR4 R$ 29,64 -1,85% USIM5 R$ 6,41 +4,06% DIRR3 R$ 14,07 -1,81%



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