Mercados em compasso de espera: Brasil corrige após recordes e EUA elevam cautela com ruídos políticos
- Matheus Soares
- 19 de jan.
- 5 min de leitura
PANORAMA INTERNACIONAL: Mercados globais encerram a semana em tom de cautela, com estabilidade nos ativos e atenção redobrada a riscos políticos nos Estados Unidos.
O índice S&P 500 registrou uma leve queda de 0,06%, refletindo a ausência de grandes catalisadores e a expectativa por dados econômicos cruciais na próxima semana, como o PIB e o índice de inflação PCE . O movimento marginal das bolsas americanas e europeias indica um compasso de espera dos investidores, que monitoram a transição política e os fundamentos macroeconômicos globais.
A especulação sobre a sucessão no Federal Reserve (Fed) ganhou força, com Trump sinalizando a possível manutenção de Kevin Hassett no Conselho Econômico Nacional, um nome cotado para assumir a presidência do Fed em maio. Pesquisas indicam que 58% dos americanos consideram o primeiro ano do novo governo Trump um fracasso, com foco em críticas à economia.
O cenário foi dominado por ruídos políticos vindos dos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas a países que não apoiarem seu plano de anexação da Groenlândia, citando a medida como uma questão de “segurança nacional” . Essa retórica tarifária reintroduziu o risco de uma guerra comercial no radar dos investidores, gerando instabilidade nas expectativas de comércio global.
As tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra países europeus que se opõem à anexação da Groenlândia não só reacenderam as tensões comerciais globais, mas também podem ter um efeito colateral relevante: aumentar o apoio ao acordo entre Mercosul e UE, justamente no momento em que o texto entra na fase mais sensível de aprovação no Parlamento Europeu. Ao usar tarifas como instrumento de pressão geopolítica, Washington empurra a Europa para uma lógica defensiva. Parlamentares europeus já falam abertamente em rever ou até suspender o acordo comercial com os Estados Unidos, enquanto a Comissão Europeia prepara medidas de retaliação tarifária a partir de fevereiro, caso não haja recuo americano.
No cenário geopolítico, O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (18) que qualquer agressão contra o líder supremo do país seria considerada uma "guerra total" contra o Irã. O alerta é feito após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter pedido uma nova liderança para o Irã. Ele acrescentou que qualquer agressão contra o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, "equivale a uma guerra total contra a nação". No sábado (17), Trump pediu uma nova liderança para Teerã após Khamenei tê-lo chamado de "criminoso" por apoiar os protestos antigovernamentais. Segundo relatório publicado pelo jornal britânico The Sunday Times, o número de manifestantes mortos nos protestos realizados no país pode ultrapassar 16.500.
O sentimento global segue de cautela, com investidores aguardando dados econômicos e maior clareza sobre os riscos políticos e monetários.
Cotações internacionais:
Petróleo WTI: +0.44%, a US$ 59,34
Petróleo Brent: +0.58%, a US$ 64,13
Ouro: +1.85%, a US$ 4.680,64/oz
Bitcoin: -1.54%, a US$ 93.671,60
S&P 500: -0,06%, aos 6.940,01 pontos
MERCADO BRASILEIRO: Ibovespa interrompe sequência de recordes e fecha em queda, reagindo à resiliência da atividade econômica e ao ajuste nas expectativas de juros.
O Ibovespa fechou em queda de 0,46%, aos 164.799,98 pontos, em um movimento de realização de lucros após as fortes altas recentes. A principal causa dessa correção foi a divulgação do IBC-Br de novembro, que avançou 0,2% na média móvel trimestral, indicando uma economia real mais robusta do que o esperado e esfriando as apostas de um corte imediato na taxa Selic.
Esse dado reforçou a percepção de que o Banco Central pode adotar uma postura mais cautelosa, essa robustez esfriou as expectativas de um corte na taxa Selic já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em janeiro. Como consequência, o mercado passou a precificar o início do ciclo de flexibilização monetária já em março, os juros futuros subiram ao longo de toda a curva, pressionando ativos de risco.
No cenário político, o Congresso sinalizou a tramitação acelerada do acordo Mercosul-União Europeia, o que é visto como um potencial catalisador positivo para o comércio exterior brasileiro no longo prazo. O presidente Lula recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, em cerimônia de comemoração da assinatura oficial do acordo entre Mercosul e União Europeia. Posaram para fotos, discursaram juntos e o presidente recebeu inflamados elogios da executiva. Lula ainda disse que o Mercosul quer parcerias também com Canadá, México, Vietnã, Japão e China, contornando a imprevisibilidade dos EUA.
O sentimento do mercado brasileiro é de ajuste e expectativa, com investidores recalibrando posições diante do novo cenário macroeconômico.
Cotações nacionais:
Ibovespa: -0,46%, aos 164.799,98 pontos
Dólar: +0.03%, cotado a R$ 5,3698
Em Resumo
O dia foi um dia de reajuste de expectativas nos mercados. No Brasil, a correção do Ibovespa foi um reflexo direto da robustez da atividade econômica, que, ao afastar a possibilidade de um corte de juros em janeiro, forçou uma reavaliação dos ativos.
Globalmente, o mercado se mostrou estável, mas com a introdução de novos riscos políticos e tarifários por parte dos Estados Unidos, que mantêm os investidores em estado de alerta. A queda do ouro e do bitcoin sugere que o foco do mercado se deslocou temporariamente das tensões geopolíticas para os fundamentos macroeconômicos e a política monetária, com a próxima semana nos EUA sendo crucial para definir o tom.
Principais pontos de atenção:
Política monetária brasileira e sinalizações do Copom sobre o início do ciclo de cortes.
Risco tarifário global e possíveis impactos de uma postura mais protecionista dos EUA.
Dados econômicos americanos (PIB e inflação PCE) e seus efeitos sobre o Fed.
Volatilidade nos mercados, especialmente em juros, commodities e fluxo de capitais.
Panorama IBRScore
Principais fatos relevantes enviados em 19/01/2026
CPFL Energia S.A. (CPFE3) – Comunicou o cancelamento do registro de companhia aberta, consolidando a estrutura societária e simplificando a governança do grupo, deixando de acessar o mercado de capitais de forma independente.
Recrusul S.A. (RCSL3 / RCSL4) – Aprovou o desdobramento da totalidade das ações, medida que aumenta a quantidade de papéis em circulação e tende a melhorar a liquidez, sem alteração do valor econômico da companhia.
Dexxos Participações S.A. (DEXP3 / DEXP4) – Divulgou fato relevante relacionado a eventos societários/estratégicos, com potencial impacto para acionistas.
Pettenati S.A. Indústria Têxtil (PTNT3 / PTNT4) – Comunicou Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações, indicando possível mudança relevante na estrutura de controle ou fechamento de capital.
Brava Energia S.A. (BRAV3) – Anunciou a assinatura de contrato para aquisição de participação nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, reforçando seu portfólio de ativos de exploração e produção.
Movimento da Bolsa
Maiores Altas Maiores Baixas
SMTO3 R$ 16,44 +2,75% CVCB3 R$ 2,41 -10,74%
CSAN3 R$ 5,13 +2,40% VAMO3 R$ 3,60 -9,09%
ASAI3 R$ 7,45 +2,19% BRKM5 R$ 8,22 -5,84%
IRBR3 R$ 52,42 +1,89% DIRR3 R$ 12,73 -5,70%



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